O império dos tesouros escondidos 3/3

Este será o terceiro e último post da série “O Império dos Tesouros Escondidos”!

1° Tesouro – O Deserto

2° Tesouro – Os Andes

3° Tesouro – Machu Picchu.

O dia tinha sido longo, a passagem pela Reserva Salinas y Aguada Blanca, fora cheia de imagens inesquecíveis.  Os rebanhos de Vicunhas, os Lhamas e as Alpacas a pastarem na Alta Planície Andina, os lagos que abrigam uma grande quantidade de aves (entre elas os flamingos), os vulcões, as montanhas cheias de neve… e sempre em alta montanha, acima dos 4000m de altitude.

Ao fim da tarde chegamos a Puno, e o cansaço fazia-se sentir. No dia seguinte sairíamos cedo, aproximavamo-nos do tão desejoso destino Machu Picchu.

3ª Tesouro – Machu Picchu

Acordamos em Puno, às margens do lago Titicaca, o maior lago navegável àquela altitude!

O hotel tinha uma ótima localização, muito central, não podíamos esperar outra coisa da Organização da Jipaventura, os hotéis tinham sempre ótima localização, ficava em frente à Praça das Armas e da varanda podíamos observar a população local, algumas senhoras a tentar vender artesanato local, outras a conversar na praça…

Os locais pouco diferiam entre si, baixa estatura, a pele queimada pelo sol, cabelos pretos e olhos castanhos. Alguns, principalmente as mulheres, tinham excesso de peso, que ainda era inflacionado pelas várias camadas de roupa que vestiam, e as saias rodadas e mantos!! As cores vivas da indumentária lembrava-nos que estávamos nos Andes a milhares de metros de altitude.

Puno é a capital do Folclore Peruano. Durante o mês de Fevereiro as ruas enchem-se de foliões para as festas em honra da virgem da candelária, as festas foram declaradas Património Imaterial da Humanidade em 2014.

O chá de coca era imprescindível ao pequeno almoço, e não podíamos esquecer de levar mais folhas de coca para o caminho! Até então, não tínhamos tido grandes problemas com a altitude.

Aproximávamo-nos da última etapa da nossa aventura! A partir daqui os jipes seguiriam sempre em estradas, até ao fim da viagem.

Depois de um passeio às margens do lago, subimos até um miradouro, e juntamos o nosso olhar ao do puma gigante, em pedra, que lá do alto e em posição sentinela, vela a cidade e o lago Titicaca!! Dali, podíamos ter uma ideia da dimensão do lago,  e a cidade parecia subir pelas encostas dos Andes, aglomerando casas humildes e inacabadas…

O lago, de nome engraçado, ficou sempre na minha memória, relembrando-me os grandes serões em família, em que repetidamente assistíamos a um filme da Disney, em que o turista Pato Donald, de Maquina Fotográfica a tiracolo, chega ao Lago Titicaca, e começa com tonturas, palpitações, e todos os sintomas comuns do mal de montanha, entra num barco típico no meio do lago Titicaca, que se desfaz ao puxar as “palhinhas” (totora) e de seguida entra numa outra aventura, agora com um lhama (os camelos andinos).

A Carol e o João sempre acharam o nome Titicaca engraçado, mas só agora com a ajuda da net, vim a descobrir o que significa na língua Quechua: “Titi” quer dizer “puma” e “Kaka” quer dizer  “pedra”, portanto “o lago dos pumas de pedra”, relacionado com uma lenda local, da época em que havia pumas na região, que desciam ao lago para beber das suas águas.

Para os Incas havia três animais sagrados,  o puma, a serpente e o condor, e esses animais estão representados muitas vezes no artesanato produzido na região, nos diversos monolitos e nas paredes dos templos.

Tive muita pena em não visitar as ilhas flutuantes dos Uros, no meio do lago Titicaca, As ilhas e os barcos tradicionais são feitos de totora, uma planta que nasce no lago. Embora saiba que há um circo turístico que envolve as visitas e os passeios de barco, acho que mesmo assim, gostava de ter visto.

Saímos de Puno em direcção a Cusco. No caminho passamos por Juliaca, um verdadeiro caos, todas as ruas em obras, cheias de buracos,  lama e poeira, na mesma estrada carros que seguem em direcções contrárias, e não cheguei a perceber quem é que ia na contramão. Os vendedores ambulantes estão no “meio” das estradas. Nunca tinha visto nada assim… o caos total!

Sempre em alta montanha, e com muitas curvas o trajeto restante até Cusco, fez-se por estradas com uma vista panorâmica fantástica.

Em Cusco ficamos alojados no hotel San Francisco Plaza , mais uma vez bem localizado e confortável, tem estilo colonial barroco. Mas nessa noite, já não dormi bem, a altitude começava a dar sinais e sentia uma pressão enorme na cabeça, que tornou o meu sono pouco relaxante.

Saímos ainda de madrugada de táxi, em direcção a Estação de Comboios (trem) de Poroy. Dali, um comboio panorâmico levar-nos-ia numa viagem pelo Vale Sagrado dos Incas, até Águas Calientes, também conhecida como Machu Picchu Pueblo, a última parada antes da Cidade Perdida dos Incas!!

Da estação de comboios avistávamos o Skylodge Adventure Suites, um hotel suspenso, que conta com 3 capsulas flutuantes e transparentes, em que os hóspedes passam a noite pendurados, a 400m de altura, sobre o famoso Vale Sagrado Dos Incas. Mas, para isso os hóspedes vão ter que escalar 300m de uma montanha!! Ah… cada um dos quartos possui 4 camas, e uma casa de banho privativa!!

Foram 3 horas em comboio panoramico, com tetos em vidro, por todo o Vale Sagrado!!

O vale tem montanhas tão altas, que por vezes só é possível ver o topo pelas janelas do tecto. O comboio tem um serviço de bordo fantástico, e na volta para Poroy, havia entretenimento à bordo.

A ansiedade era enorme, finalmente estávamos a chegar a Machu Picchu.
Só podes chegar a Águas Calientes de comboio ou caminhando, é o povoado mais próximo da cidade perdida dos Incas. A cidade cresceu sem ordenamento, às margens do Rio Urubamba. As ruas estão repletas de pessoas e o mercado de artesanato.

Chegando a Águas Calientes, há duas hipóteses para chegar ao Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu, ou à pé, por uma trilha que demora cerca de 1h30min (mas havia gente a dizer que demorou muito mais), é por dentro da mata, sempre a subir e tem muitos mosquitos, ou então, de autocarro (ônibus), cerca de 25 minutos.

O serviço é oferecido diariamente, desde as 5h30min da manhã até as 15h da tarde, com saídas a cada 15 minutos. Os autocarros de retorno funcionam das 6h30min até 17h45min. Mas deves comprar os bilhetes com antecedência.

Segundo o blog Viaje na Viagem, desde 1º de janeiro de 2019, os ingressos para Machu Picchu têm hora marcada para entrar. Basta coordenar direitinho os horários do trem e do parque, e você não terá que disputar a entrada com todo mundo que já estava em Aguas (só com as pessoas que compraram para o seu horário).

O enigmático complexo de Machu Picchu, o mais importante e extraordinário legado dos antigos peruanos, é parte do Santuário Histórico do mesmo nome, o qual é um dos poucos lugares da América, declarados Património tanto Cultural como Natural da Humanidade pela UNESCO. Encontra-se situado no topo de uma montanha e harmoniza-se com a exuberante natureza que o rodeia, criando um lugar único do mundo.

Na entrada de Machu Picchu, é necessário o passaport, e há um carimbo próprio, que colocam no passaporte!!

Na entrada há vários guias credenciados a oferecer os serviços para a visita ao Parque Arqueológico, e eu acho que vale a pena!! Parece até que agora é obrigatório.

Os circuitos podem demorar entre 2 a 3 horas. e chegando lá… ficamos que hipnotizados com aquela visão!!

Prepare-se… a vista é deslumbrante!! Machu Picchu, significa Velha Montanha
na língua Quechua!! Fica a 2.400m de altitude e foi descoberto em 1911,
quando o arqueólogo americano Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale se tornou o primeiro forasteiro em séculos a entrar na cidadela, seu guia foi um agricultor da região , que sabia da existência das ruínas na montanha.

Foi o realizar de um sonho… foi como se tivesse entrado nas imagens dos livros de história da minha infância no Brasil! Sempre adorei história, mas nunca consegui notas espectaculares a história, porque não conseguia resumir, e para cada pergunta, escrevia, escrevia, e não dava tempo de acabar os testes!! Eheheh… Espero que não aconteça o mesmo com este blog!! Ehehehe.

Os degraus para chegar ao topo são altos, mas valeu o esforço em cada degrau… a vista é exuberante, e sente-se uma energia inexplicável… o local é mágico!!

Com a ajuda da guia, lá desvendamos o Templo do Sol, o Templo das 3 janelas, o Templo do Condor, a zona agrícola…

No templo das 3 janelas, cada janela simboliza um dos níveis adorados pelo povo Inca, sendo eles: o céu (vida espiritual), a terra (vida material) e o subsolo (vida interior). Das janelas é possível observar a montanha Putucusi, um dos Apus, ou montanhas sagradas, localizadas ao redor de Machu Picchu.

A bruma que envolvia as montanhas, aumentava ainda mais a magia…

Ao fim, voltamos para Águas Calientes, uns no autocarro, outros desceram a trilha à pé!! No Parque Arqueológico não há lojas, nem locais para comprar o que comer ou beber (ainda bem). Levamos a nossa garrafinha de água. Ao chegar a Águas Calientes almoçamos, e apesar de achar as alpacas super fofinhas, não resisti a experimentar um bife de alpaca… e é maravilhoso!! Os traços dos artistas da banda não os deixavam negar a sua origem quechua.

Na volta para Cusco, outra vez o nosso comboio panorâmico, com animação à bordo. Ainda houve tempo para uma volta em Cusco e ir ao museu do Pisco.

Cusco está a 3.400m acima do nivel do mar, e à noite outra vez, voltei a sentir aquela pressão na cabeça, que me dificultava o sono. O Beto… ressonava…

No dia seguinte, foi um dia inteiro para descobrir Cusco, e havia tanto para descobrir…

Na área de Cusco viviam as tribos pastorais dos Incas, que fundaram a cidade no século XII. Sob a liderança de Manco Capac os Incas começaram a expandir o seu império, que se estendia até o outro lado da cordilheira dos Andes, incluindo áreas do actual Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.

Cusco foi a capital do Império Inca até 1533, quando os espanhóis ocuparam a cidade e terminaram com a Civilização Inca. Proliferaram então monumentos, igrejas, mosteiros e palácios em estilo colonial espanhol.

A altitude fazia-se sentir, aproveitamos para visitar a cidade em Sightseeing Bus, para poupar tempo e o fôlego. Mas aqui não funciona no sistema hop on hop off de outras cidades, ele não pára nos pontos turísticos. Apenas dá uma volta pela cidade, e pára junto a uma loja de artesanato e produtos de alpaca, e no fim no Cristo Blanco, um mirador onde podemos observar a cidade. No fim fomos à pé conhecer os principais pontos turísticos da cidade, e durante esse passeio, comecei a sentir-me muito cansada, e esse cansaço foi aumentando progressivamente, tanto que no fim do almoço, tive que ir para o hotel descansar. Tinha muito frio… e afinal estava com 40º de febre. Nessa noite iríamos jantar a um restaurante que estava ansiosa por conhecer, tinhamos ido pessoalmente fazer a reserva no Chicha por Gaston Acurio de Cusco, mas infelizmente já não fui. O pessoal diz que era tão bom quanto o de Arequipa!!

Em 1983 o centro histórico de Cusco, foi declarado como “Patrimônio Cultural da Humanidade” pela Unesco. .

No dia seguinte acordei bem, sem febre, sem cansaço, e pronta para os 600 km que nos separavam de Nazca. Na descida até Nazca, deixávamos para trás os Andes, parte do percurso era ainda na montanha, e constituído por estradas serpenteantes,e sempre acima dos 3500 metros. No mesmo dia vimos cair neve, vimos granizo, vimos sol e vimos chuva!

Mas… entretanto um dos jipes teve um pneu furado, e tivemos que ficar a espera na estrada, acabamos por conhecer um grupo de crianças que brincavam numa estrada, que para nós, parecia muito perigosa. Vendiam fruta numa barraquinha junto a estrada. Adorei conhecê-los, e com o auxílio da máquina fotográfica fizemos logo amizade. Adoravam ver as fotos!!! Falavam pouco espanhol, e entre eles apenas um dialeto local. Oferecemos a estas crianças tudo o que nos sobrara, bolachas, pão, sumos, conservas, etc… Foram felizes levar para a família, a mãe apareceu logo de seguida, agradeceu muito e insistiu para que aceitássemos bananas e mangas que estavam a vender. Nós quisemos pagar a fruta, mas não aceitou, e insistiu, era uma oferta para nós… É uma das lembranças mais ternas que trago do Peru.

Em Nazca, voltamos ao mesmo hotel, e a despedida dos “Pisco Souer” que tantas saudades deixam…

No 13º dia saímos de Nazca, em direção a Lima, mas passamos outra vez pelo Oásis de Huacachina, onde aproveitamos para nos despedirmos das fabulosas dunas e experimentamos um “arenero”, uns carros loucos, ao estilo de “Madmax” onde descascam por completo os jipes ficando apenas os chassis, enormes motores V8 a gasolina e uma estrutura tubular a servir de roll-bar para manter a segurança. É muita adrenalina… inesquecível!! Almoçamos ali junto ao oásis, onde disse que ainda voltaríamos outra vez, mas dessa vez tínhamos o acompanhamento de uns jovens brasileiros, que iam cantando pelo Peru, e dessa forma subsidiando a sua viagem.

De volta a Lima, o grupo ficaria ainda 2 noites, mas nós partiríamos em direcção a Buenos Aires, onde ficaríamos mais alguns dias. A tarde, houve tempo para voltar ao mercado de artesanato, e nessa noite em Lima fomos jantar ao Restaurante Panchita, Sazon Criola, muito bom!!!

No dia seguinte antes de nos dirigirmos ao aeroporto, fomos uma última vez, almoçar a La Lucha em Lima. Que saudades daqueles sanduiches!!

Foi das melhores viagens que já fiz até o momento, pelo destino em si, pelas pessoas, pelo grupo, e pela forma da viagem. Gosto da aventura, do out of box, e por esse motivo teremos em breve uma nova Jipaventura!!

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

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