O Império dos Tesouros Escondidos – 2/3.

Este será um segundo post sobre a aventura no Peru, que foi dividida em 3 posts:

1ª tesouro – O Deserto

2º Tesouro – Os Andes

3º tesouro – Machu Pichu

Este post, inicia-se com a partida de Huacachina, a passagem ainda por paisagens de dunas e a subida até os Andes. Nada me preparara para as imagens que ia ver… nenhuma fotografia (das minhas), consegue transmitir o que se sente perante aquilo!!

2º Tesouro – Os Andes

A noite caiu em Huacachina, o por de sol, foi visto do alto das dunas, com toda aquela miragem à nossa frente!! O oásis, a cidade, as dunas… imagens difíceis de esquecer! À noite o jantar foi ali no oásis, próxino ao hotel e  junto daquele lago, num restaurante simples, mas com boa comida e uma esplanada, que nos conquistaria… haveríamos de voltar!!

Seguindo a rota do Rali Dakar, seguimos para sul. Agora as dunas pareciam desenhadas, uma verdadeira obra prima, operada pelo vento!! Ali não há paisagens iguais, o quadro é diferente de dia para dia… As dunas movem-se ao sabor do vento!!

Ainda lembro quando paramos no alto de uma duna e o Mário apontou lá para baixo, para uma praia deserta e com um extenso areal, e disse: é para ali que vamos Rita.

Não vi estrada ou qualquer caminho, apenas uma duna que descia até a praia… e perguntei-lhe: e por onde vamos para lá?

Ele respondeu: por aqui (apontando a descida íngreme da duna até o areal, mesmo na nossa frente), porque? Há algum problema?

Eu respirei fundo e respondi: Nenhum… se os outros vão, também somos capazes!!

O Mário chamou pelo Beto, e novas instruções foram ensinadas… o mais importante… não travar nunca!!!

Chegamos à praia de San Fernando, um areal a perder de vista, propiciando uma condução na praia entusiasmante. Fora do Jipe estava bastante vento, tivemos que procurar um local abrigado para improvisarmos o nosso almoço.

Deixando o litoral e a paisagem agradável do Oceano Pacífico, nos dirigimos para o interior, para Nazca.

A partir daqui, paisagem sofreu uma grande transformação, deixamos de ver as dunas, e agora tínhamos uma paisagem lunar. Aproximavamo-nos do Deserto de Nazca. Nos leitos quase secos de uns riachos, havia uma ténue linha de vegetação. Aproximava-mo-nos de uma área protegida, paisagem cultural arqueológica, onde estão os Geoglifos.

O solo escuro que vimos inicialmente mudava de cor, deixando à vista um solo avermelhado e em alguns locais esbranquiçado, condições essenciais para a observação dos geoglifos.

Ao fim da tarde, chegamos a Nazca, onde estão as linhas de Nazca! Esperava-nos um hotel muito agradável, o dm Hoteles Nasca.

Devo confessar, que até então, nunca tinha ouvido falar das famosas linhas de Nazca!! Afinal o Peru escondia ainda muitos mais tesouros além de Machu Pichu. A civilização Nazca, foi uma das civilizações pré-Incas mais importantes!

As linhas de Nazca são um conjunto de geoglifos antigos, localizado no deserto de Nazca! Foram declarados Património Mundial pela UNESCO, em 1994. As figuras incluem a aranha, beija-flor, lagartos, peixes e macacos, entre outros. As maiores tem cerca de 200m de diâmetro!!! As linhas são desenhos rasos, feitos no chão, com sulcos de cerca de 30cm de profundidade, que podem ser observados do espaço. Há um passeio de avioneta, para observação das linhas de Nazca!!

As linhas foram observadas pela primeira vez em 1927, quando se iniciaram as viagens de avião, mas estima-se que as Linhas de Nazca foram criadas pela civilização de Nazca entre 400 e 650 d.C.

Alguns tentaram pela manhã fazer o voo numa pequena avioneta para observar as linhas, eu… fiquei a dormir!! Não me arrependi, porque dessa vez, não houve condições para o voo, que acabou ficando adiado para uma próxima vez!! Contentamo-nos em subir a Torre Metálica de Naska, uma torre manhosa, onde se podem observar 3 desenhos das linhas.

Foi também em Nazca que descobri a sério, os piscos!! Pisco é o nome de uma cidade que foi praticamente toda destruída no terremoto de 2007. Mas Pisco é também uma aguardente de uva, e o Pisco Sour um coquetel típico da gastronomia sul-americana, preparado com o Pisco (aguardente), açucar, limão e clara de ovo.

Acompanhamos a preparação da famosa bebida peruana, e depois foi experimentar, e experimentar, e experimentar!!
Pisco é um nome que na língua quechua significa pássaro, portanto um nome muito apropriado para o coquetel, porque aquilo dá-te asas!!!

Mas, continuamos em direção ao Sul, passaríamos a noite em Chala, um hotel muito simples, mas mesmo em cima do mar!!!

Ao sair de Nazca, passamos pelas Minas de Ouro de Naska. Durante décadas, a exploração das minas de ouro, foram a principal actividade económica daquela região, tendo sido exploradas por empresas nacionais e internacionais, gerando emprego para milhares de pessoas. Mas, assim que a extracção começou a esgotar os recursos e a diminuir a rentabilidade, as empresas decidiram suspender os trabalhos e abandonaram as minas. Mas a população que tinha experiência mineira e na falta de outros recursos, continuaram a explorar as minas de forma ilegal. Embora as montanhas não tenham muito ouro, esses mineiros, trabalham sem nenhuma protecção, porque não tem outra forma de subsistir.

Mas nós que somos aventureiros, também lá passamos!!

E depois mais dunas, mais estradas, mais curvas e contra curvas, mais sobe e desce, e descansamos em Chala, um banho na praia, para revigorar as forças, porque o dia seguinte seria cansativo.

Na manhã seguinte, saímos cedo, queríamos chegar a tempo de visitar Arequipa. Foram 400km de estrada, e sempre a subir!!

Em Arequipa, ficamos alojados no hotel Casa Andina Standard Arequipa. Um hotel bastante central, a 5 minutos da Praça das Armas de Arequipa.

Arequipa, localiza-se a 2.300m de altitude, estendendo-se numa área de oásis, localizada nos vales das montanhas desérticas dos andes.

O Centro histórico de Arequipa, foi considerado Patrimonio Mundial pela Unesco em 2000, devido a arquitectura ornamentada de vários edifícios, sendo que muitos são construídos com uma rocha vulcânica, a sillar.

Quando chegamos a Arequipa chovia, fomos almoçar, mas o tempo passa muito depressa, o que prejudicou um pouco a nossa visita.

Jantamos no restaurante Chicha em Arequipa por Gaston Acúrio. Restaurante lindo, comida ma-ra-vi-lho-sa!!! Ah… e um pisco de maracujá!!

Pela manhã, não podíamos deixar de tomar o nosso chá de coca, e levar um armazenamento de folhas de coca para a viagem. As folhas de coca estão disponíveis ao pequeno almoço, e podes levar para o caminho. Não há necessidade de levar a mais, em todos os pequenos almoços conseguimos encontrá-las, assim como o chá de coca.

A mastigação das folhas de coca é algo tão antigo, quanto a civilização Inca. A folha de coca possui 14 compostos químicos, mas só um deles serve para o fabrico da cocaína, e representa 0,5% da composição da planta. Pode ser consumida pura ou em chás/infusões. Estão à venda em vários locais e são muito baratas.

. No Peru, Chile, Bolívia e Argentina ela é usada pelos turistas e locais, para aguentar o mau estar causado pelas altas altitudes. A coca tem vários efeitos positivos no organismo humano, e sem ela os locais não conseguiriam trabalhar nos campos e nas minas. O mal da altitude caracteriza-se por cansaço, falta de ar, respiração acelerada, aumento da frequência cardíaca, dores de cabeça e náuseas entre outros.

Viajando pelos Andes, constantemente estamos em cidades e locais situadas a mais de 3.000m acima do nível do mar.Quanto mais alto é um terreno, menor é a pressão atmosférica. A diminuição da pressão atmosférica provoca uma expansão das moléculas de ar, e um número menor de moléculas de oxigénio entra no nosso organismo quando respiramos. A maioria das pessoas apresenta mal de montanha, por isso é melhor prevenir do que remediar. Junte 5 folhinhas, dobre-as e coloque na boca, mastigando com os molares (assim tipo chiclete), não engula as folhas, apenas o liquido que sai delas. O gosto é amargo, e ao contrário do que muitos pensam, não são alucinogénas. Para evitar o mal de montanha, deve ainda beber muita água e evitar bebidas alcoólicas e tabaco.

Ao sair de Arequipa, começamos a sentir que estávamos a entrar na cordilheira dos Andes. Ao nosso redor viam-se as montanhas cheias de neve, e avistamos o vulcão Misti.

Passamos todo o dia em pistas de alta montanha, passando pela Reserva Nacional de Salinas e Aguada Branca. A paisagem era soberba, rodeados por lagos, salares e montanhas, e com o altímetro sempre acima dos 4.000m. Estávamos onde ninguém vai, onde raramente passámos por um Jipe ou carros de mercadorias. Uma sensação enorme de paz, as Vicunhas, as alpacas e lhamas, estavam ali… em liberdade.

O que vimos e sentimos é indescritível e inesquecível. Aqui não havia turismo de massas, aqui estávamos nós e a natureza.

As vicunhas são selvagens, os lhamas e as alpacas são domesticados. Observamos algumas aldeias que foram abandonadas pelos locais, mas durante o verão alguns locais mudam-se para pequenas casas sem condições de habitação, para poder pastorear o rebanho nas imensas planícies e fazem a tosquia dos animais. Podem ser vistos com as suas vestes tradicionais coloridas, junto aos rebanhos.

As crianças mais pequeninas embora um pouco desconfiadas em relação aos estrangeiros (são poucos a passar por ali), lá aceitaram os rebuçados (balas), e bolachas que oferecemos.

O silêncio daquele local acabou com a chegada da chuva, e mais uma vez procuramos um local abrigado para improvisar o nosso almoço.

Chegamos aos lagos, e mais uma vez, ficamos espantados com a beleza natural.

Chegamos a Puno ao fim da tarde, ficamos hospedados no Hotel La hacienda Plaza de Armas, excelente localização, mesmo em frente a Plaza das Armas.

Nessa noite alguns experimentariam o Cuy, o porquinho da Índia do Peru, uma espécie nativa da cordilheira e comestível. O alimento dos Incas, e fonte de proteínas para os povos da serra.

Estávamos cansados mas felizes, as folhas de coca pareciam estar a fazer o efeito desejado, não havia sintomas significativos de mal da montanha e mais uma vez tivemos um dia em cheio… cheio de experiências, de paisagens de tirar o fôlego, de vivências que ficarão para sempre na nossa memória.

Pela paz que a paisagem transmite, a beleza natural, a fauna e a flora, a cordilheira dos Andes é um dos destinos mais fantásticos da América do Sul.

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

This Post Has 2 Comments

  1. Olá Dra Rita, quero agradecer tudo o que tempartilhado, pois é a forma de conhecer muitos lugares e respectivas histórias de uma forma. fácil e rápida
    Desejo-lhe muita saúde para continuar a fazer o que mais gosta.😍🍀
    PS-Por mera curiosidade minha gostava de saber se ainda está no activo ou já está aposentada. Beijinhos 💕💋💋💋

    1. Olá Dra. Lurdes!! Obrigada pelo comentário!! ❤️
      Sim, ainda estou a trabalhar , como médica de família e coordenadora da USF, ainda no mesmo local. Este é um projeto pré-reforma!! 😂😂😂Preparando essa nova fase… mas ainda faltam uns aninhos!! Este não é trabalho, é um projeto que me dá muito prazer!!!
      Portanto tenho 3 projetos em desenvolvimento, o trabalho como coordenadora e médica de família, o blog, e ser avó (esse, de todos, é o projeto mais importante!!). Beijos.

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