O Império dos Tesouros Escondidos – 1/3


Há certas coisas na vida, que achamos que nunca vamos concretizar… Aqueles sonhos quase impossíveis… Mas a palavra mágica é o “quase”…

Machu Pichu era um desses sonhos! Desde pequenina a história me fascinava… as civilizações Maias, Incas e Astecas… com todo aquele conhecimento que demonstravam ter, numa época tão remota. Guardava na memória as imagens de Machu Pichu dos livros, como um tesouro, a espera de ser descoberto!

Mas… esse dia chegou… era a oportunidade de conhecer aquela terra misteriosa, e da melhor forma… envolta em muita aventura!

A Jipaventura é uma empresa que se dedica a organização de raids 4×4 e, pelos 4 cantos do mundo. O Mário Pinto, fundador da empresa, é o responsável por fazer o sonho acontecer!!! O Mário tem um vasto Curriculum como organizador e dinamizador de expedições, desde 2001, tanto em Portugal, quanto por esse mundo fora.

Esta aventura durou 15 dias, e vai ser dividida em 3 posts:

  • 1º Tesouro – O Deserto
  • 2º Tesouro – Os Andes
  • 3º Tesouro – Machu Pichu

Partimos do Porto, em voo com direção a Madrid e posteriormente Lima. Não éramos muitos, seríamos apenas 5 veículos 4×4, com no máximo 2 elementos por “jipe”. Para nós seria uma verdadeira aventura, já que o Beto tinha pouca (para não dizer nenhuma) experiência em 4×4.

Tesouro nº 1 – O Deserto

Chegamos a Lima, a capital do Peru! Ainda no aeroporto procedemos ao levantamento dos jipes (pick-up Toyotas e Nissan Navara), e foram entregues pela organização, os rádios para comunicação permanente entre os veículos, mapas, tracks e waypoints para GPS’ Garmin, dos trajetos a percorrer.

A seguir, como o Mário dizia, o assalto ao supermercado. Dirigimo-nos à Makro, em Lima, onde nos abasteceríamos para 15 dias. No programa estava incluído o alojamento e pequenos almoços, mas as refeições seriam por nossa conta, sempre que possível em restaurantes ou similares… mas nem sempre isso seria possível.

Foi comprar água, cervejas, sumos, frutas, pão, bolachas, enlatados, enchidos, queijos e todo o resto que servisse para preparar uma refeição de emergência. Compramos também caixas de esferovite (isopor para os brasileiros) para o gelo. As guloseimas, não podiam faltar, também estavam lá no carrinho, junto com umas barras de cereais.

Dirigimo-nos ao Alpa Hotel & Suites, um hotel com quartos ótimos, bem localizado, e com um bom wifi. Seguimos para almoçar, e descobrimos um pequeno restaurante de refeições rápidas, que adoramos… (ainda teríamos muitas saudades daqueles sanduíches…), chama-se La Lucha, Sanguchería Criolla. Até estou com água na boca… só com a lembrança. ” The best fast food picked by the world´s Top Chefs”, pode-se ler na imprensa mundial. Deu para entender logo, que aquilo ia correr bem, o Peru tem uma gastronomia fantástica!!!

Lima foi fundada em 1535, e atualmente tem cerca de 10.000 de habitantes. É uma cidade bonita, tem um Centro Histórico muito interessante, declarado Património Cultural da Humanidade pela Unesco, onde se podem observar as famosas varandas, talhadas em madeira, herança do período colonial.

Mas, o dia tinha sido muito longo… depois de uma noite de viagem, não conseguimos explorar muito mais… acabamos por dar apenas algumas voltas, nas proximidades do hotel… estávamos exaustos, e no dia seguinte iniciar-se-ia a verdadeira aventura, e os aventureiros tem que acordar muito cedo!!! Esperava-nos a famosa Carretera Panamericana!!

E lá estávamos nós na famosa carretera panamericana… uma estrada com cerca de 48.000km de extensão, que liga todos os países do Continente Americano, com exceção de cerca de 130km no Parque Nacional de Darién (entre a Colômbia e o Panamá), desde o Alasca até Buenos Aires. Esse era um dos sonhos do Beto, fazer a Panamericana… e lá estavamos nós, rumando ao sul, 320km, sempre com o Oceano Pacífico como companheiro de viagem…

As dunas emolduravam a estrada… os outdoors eram fantásticos, ainda gostava de saber, se aqueles outdoors funcionam como fator de distração na estrada!! Eu, no lugar do co-piloto (hahaha), ia encantada, a observá-los e fotografá-los!!

Chegando a Paracas, eram horas de almoçar, o famoso Ceviche, e posteriormente fazer o check in no hotel San Agustin Paracas.

O hotel era novo e fantástico, quartos bem decorados, espaçosos, e com varandas voltadas para o mar!

Mas eram horas de começar a aventura, e dirigimo-nos à Reserva Nacional de Paracas, uma área natural, protegida pelo estado e com uma beleza descomunal!!

Dunas, praias desertas e formações rochosas que abrigam leões marinhos, pinguins, golfinhos e mais de duzentas espécies de aves.

Chegados ao Istmo de La Peninsula, era o momento para experimentar os jipes, ver como se comportavam nas dunas, fazer crescer a adrenalina e deixar a cabeça a fervilhar, imaginando os dias que se seguiriam.

De volta ao hotel, após um mergulho e jantar, o merecido descanso… no dia seguinte havia mais aventuras!!

Na manhã seguinte uma surpresa… não estava descrito no programa, mas o Mário aconselhou-nos a fazer uma visita a Bahia de Paracas, para avistarmos os leões marinhos, pinguins e outras aves. Dirigimo-nos à Marina, onde compramos os ingressos, na hora. Foi um passeio inesquecível, de barco até as ilhas Ballestas, avistamos inúmeras aves, entre essas os famosos flamingos, pelicanos e pinguins de humboldt!! Tudo me impressionou… a quantidade brutal de aves, o ruído dessas, e por fim os leões marinhos… espetacular!!

O barco deslizava entre as várias formações rochosas, entrando e saindo de grutas, e a cada esquina descobríamos, mais uma espécie: Uma das surpresas foi a praia maternidade com dezenas e dezenas de leões marinhos bebés!! Lindo, lindo, lindo!!

Durante o passeio pudemos observar o enigmático “candelabro”, com uma idade de cerca de 2500 anos, ninguém sabe quem o fez, ou porque foi feito. Tem cerca de 200m de altura e pode ser visto a 20km de distância, mar adentro. Alguns arriscam a dizer que ele aponta para as linhas de Nazca, que falaremos mais tarde.

Ao regressar do passeio de barco, deixamos Paracas, em direção ao sul, com passagem por um enorme salar e sempre a avistar o Oceano Pacífico. As pistas inicialmente fáceis, tornam-se cada vez mais arenosas, até chegar a um enorme Erg (conjunto de dunas), que nos aguarda.

Pelo caminho, encontramos um pequeno porto piscatório, e as imagens ficaram gravadas para sempre!! O peixe ao chegar ao Porto, o cheiro do peixe… os pelicanos que se amontoam a espera do seu peixinho, de preferência já escalado e sem espinhas (hahaha), o acondicionamento do peixe para o transporte em camiões, que ainda não percebo como lá chegaram, o parque automóvel da região, e por fim… a nossa mercearia, onde pediríamos para utilizar as mesas, e prepararíamos o nosso almoço.

Continuando… mais areia, mais dunas, e sempre aquele contraste do azul do Pacífico, com o dourado das dunas!! Quanto mais via, mais encantada ficava, não me cansava aquela paisagem… com uma música a acompanhar… com as conversas na rádio entre todos… uma sensação de total liberdade, de comunhão constante com a natureza!!

Agora… havia que preparar o jipe para o novo terreno… as dunas estavam próximas!! Aquelas que mudam diariamente, conforme o vento… As enormes dunas já conhecidas por muitos devido as imagens do Dakar… seriam o nosso próximo desafio.

Agora há que ter as informações técnicas… subimos as dunas,,, há que descê-las!!

O fim da tarde aproximava-se e lá estávamos nós… de frente para aquilo que seria um oásis perfeito, uma lagoa central, rodeada de palmeiras, no meio das dunas de areia… à sua volta os Buggys subiam e desciam as dunas mais altas… e alguns aventureiros tentavam o Sandboarding.

Ali ficaríamos a descansar essa noite, no DM Hoteles Mossone Ica, considerado monumento histórico do Peru, era a antiga habitação de férias da família Mossone. Foi construído no inicio do século XX, e os quartos, embora amplos e com vista para um jardim interno maravilhoso, beneficiariam com algumas obras de remodelação, mas nada que desvalorize a localização espetacular do hotel, que fica mesmo em frente a lagoa de Huacachina.

Não resistimos a experimentar as subidas e descidas de buggy naquelas dunas vertiginosas, mas conduzidos por um verdadeiro profissional.

Foi um dia inesquecível… parece-nos impossível, quantas coisas fomos capazes de fazer em um único dia, e parecíamos muito menos cansados que no dia anterior.

As brincadeiras nas dunas ajudaram a libertar a adrenalina, que nos deixaria aquela sensação de felicidade, com que dormiríamos essa noite… No dia seguinte, continuaríamos a rumar a Sul, em direção à Nazca.

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

This Post Has 4 Comments

  1. Nota 10!!!

  2. Fantástico!
    Assim a viagem vale a pena.

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