A praia mais bonita do mundo??

Quando viajei para o Vietname, não era essa a minha intenção inicial, e sim, ir a Tailândia. Muitos falavam que a Tailândia estava a perder a sua essência, devido ao turismo de massas, que enchiam as praias paradisíacas e os monumentos, tirando o que de mágico a Tailândia ainda tinha!

Mas eu sou teimosa, e gosto de ir ver pessoalmente e depois tirar as minhas conclusões. As imagens que via na net, nos Blogues e nas revistas de viagem, continuavam a me encantar, e a fazer da Tailândia um destino a explorar. Durante meses explorei a ideia, e decidi que iria com a Leva-me Tours, do Tour Leader João Cajuda. Mas ficava uma dúvida, seria um grupo demasiado jovem para nós? Estava disposta a arriscar… sou aventureira, e tanto eu como o Beto, nos relacionamos bem com os jovens. Mas, esqueci-me de uma coisa… de reservar a viagem… e ainda íamos em Maio ou Junho, já não lembro… e o grupo ficou completo para a viagem de Novembro!! O sonho ficaria adiado… ou procuraria outras agências… (mas quando sismo com uma coisa, tem que ser “aquela coisa”, e nada me agradava).

Foi assim que descobri na Logitravel o Vietname, com circuitos combinados com uns dias de praia na Tailândia. O Vietname era um dos destinos que estava na minha lista de prioridades.

Agradava-me o preço da viagem, o circuito que seria feito no Vietname, e no fim ainda teria uns dias para descansar numa praia paradisíaca da Tailândia. Fiz algumas alterações ao programa, escolhendo o grupo de hotéis de qualidade superior, e aumentei um dia a estadia em Krabi na Tailândia. Ficaria em Krabi 4 noites.

A intenção era mesmo descansar no fim, e não fazer turismo na Tailândia, isso ficaria para uma próxima viagem. A extensão para Krabi, compreendia apenas os vôos do Vietname para Krabi, transferes e alojamento.

Havia uma lista dos hotéis que poderíamos escolher. A maior parte dos hotéis ficava em Ao Nang, mas eu queria ficar, onde estavam as praias paradisíacas. Durante dias estudei a lista e acabei por escolher um hotel que ficava na praia de East Railay, em Railay, o Bhu Nga Thani Resort & Spa. East Railay não é a melhor localização, já que as praias mais bonitas ficam do lado West, mas o hotel era muito bom, e com uma pequena caminhada de 10 minutos estamos na praia.

Depois de atrasos e cancelamentos de voos, fomos orientados para outra companhia, e ao chegar a Krabi, uma das malas tinha ficado pelo caminho. O Beto foi fazer a reclamação, o que nos levou bastante tempo, mas ao sair, o transfer lá estava a nossa espera. Entregariam a mala no hotel, assim que essa chegasse.

Sinceramente, a melhor coisa que nos aconteceu nessa chegada, foi a mala ter-se perdido. O nosso transfer levou-nos do aeroporto de Krabi até o Pier em Ao Nang, onde compramos os bilhetes para o barco que nos levaria a Railay. Chovia torrencialmente, durante o período em que estivemos a espera.

Quando o barco chegou, um daqueles barcos famosos da Tailândia, de cauda longa, lindos… mas que não conseguia atracar junto ao pier, porque estava lá outro barco. Tivemos que passar com a mala (aliás, o Beto teve), sem ajuda de ninguém, para dentro de um barco, e depois desse para outro barco.

Eu carregava a bagagem de mão, a bolsa e a mochila da máquina fotográfica, tudo sempre debaixo de uma chuva torrencial. Os turistas ainda nos davam a mão, ou pegavam na minha bagagem, para ajudar a entrar e sair do barco, os locais… nada. No barco havia alguns casais de namorados, não pareciam muito felizes. Aproximavamo-nos de Railay, parecia que com o sol seria bonito, mas naquele momento…

Chegamos a Railay, as malas molhadas, nós molhados, e ainda retirar as malas do barco, sairmos dos barcos num pier flutuante, instável, onde era uma vitória conseguirmos nos manter em pé, e novamente… sem ajuda para carregar as malas… por sorte o hotel era bem próximo do pier.

No hotel o Staff, apesar de muito solicito, falava pouco inglês. Eles demonstravam uma calma extraordinária… nós… nem por isso.

Foi chegar ao quarto, tomar um banho, vestir-mo-nos para uma pequena exploração e ir jantar. Estávamos exaustos.

O quarto era bastante confortável, tinha uma vista linda da varanda, e pela manhã ao acordar, estava sol, um pouco encoberto, mas já não chovia!!!

Ao chegar à varanda corri de volta para o quarto, chamei o Beto, para que viesse em silencio à varanda, porque estava ali, em frente a nós, um macaco numa árvore. A vista ao redor era linda… voltara outra vez o meu bom humor característico das férias!! Hahaha.

O hotel tem um pequeno almoço muito bom, e uma piscina com jacuzzi de frente para o Mar de Andaman.

Railay não é uma ilha, é uma peninsula, com acesso exclusivo através do mar. Na baía de Railay, temos 4 praias: Phra Nang Beach, Ton Sai, East Side e West Side. Há trilhas para fazer, visita a Diamond Cave, Phra Nang Cave, e o Wiew Point que tem acesso difícil, principalmente a seguir às chuvas. Não há carros em Railay, nem mesmo bicicletas, os passeios são todos à pé… ou de barco!!

Inicialmente pensava em fazer um passeio de barco pelas ilhas vizinhas, mas resolvemos passar os dias por ali, explorando Railay, e as suas praias, a pé ou de caiaque. Aproveitar o presente… estávamos em um local fabuloso, para aproveitar a praia, descansar, curtir o por de sol, havíamos de voltar a Tailândia.

No primeiro dia descobrimos o West Side! Estava ali tudo o que vi nos postais, a água esverdeada translúcida, cercada pelas formações rochosas e mata. Os Barcos de cauda longa, com as suas fitas coloridas, ancorados na praia, a espera dos turistas para as saídas em visita a outras ilhas. Mas nós estavamos ali, antes da saída e da chegada de barcos que traziam turistas para ver Railay Beach.

A água era quentinha, e convidava a longos banhos de mar. A praia nunca esteve deserta, mas também nunca esteve cheia demais. Estava feliz por estar ali.

Tivemos muita sorte em realizar-se na altura em que estávamos lá o Loy Krathong festival, é uma tradição antiga que se realiza desde meados do 11º até o meio do 12º mês lunar, sob o brilho da lua, deixando um cenário perfeito para as lanternas flutuantes que levam ofertas para os deuses Siva, Vishnu e Brahma, as lanternas levam velas acesas, incenso e doces, e deves fazer um pedido.

As lanternas são lindas, tem a forma de uma coroa, no restaurante ofereceram-nos uma, para colocar a flutuar e fazermos um pedido. Lindo demais.

No dia seguinte fomos explorar Railay e visitamos a Diamond Cave. Não é nada de especial, mas pagamos pouquinho para fazer a visita. O que mais me impressionou, na realidade, foi a quantidade de morcegos que estavam lá, pendurados no tecto.

Depois, fomos a descoberta de Phra Nang Beach, e assim que cheguei a praia, fiquei tão, mas tão emocionada, que chorei. Era a praia mais bonita que eu já tinha visto na minha vida. Agradeci a Deus, por me dar a oportunidade de conhecer lugares assim, que me enchem a alma. Como sabem, ou não sabem, sou apaixonada por praia. Transmitem-me energia.

Chegamos lá quase ao fim da tarde, e os barcos que vem cheios de turistas já tinham ido embora… deixaram o por de sol só pra nós. Ali não há resorts, só um restaurante de apoio na praia, que pertence a um dos resorts. Há barcos de cauda longa, estacionados ali permanentemente, que vendem comidas e bebidas.

Mas eu não tinha levado a camera fotográfica, só o telemóvel, no dia seguinte teria que voltar para fotografar.

Ia também a procura de Phra Nang Cave, mas não foi difícil encontrá-la logo ao chegar à praia demos de cara com uma gruta, cheia de falos. Sim… pênis, de todos os tamanhos e todas as cores…

Phra Nang Shire é um santuário dedicado ao espírito da Princesa Phra Nang, que deu origem ao nome da praia. Para essa trazer fertilidade para as famílias, e como oferenda, os pescadores e moradores locais colocam esculturas fálicas. De todos os tamanhos e cores.

Para nossa surpresa, de repente aparecem umas jovens com trajes típicos tailandeses, a cantar e dançar à frente do templo. Assim como surgiram… desapareceram… mágico!

Para quem gosta de escalada, Railay é um paraíso… Podes fazer escalada em Phra Nang e Ton Sai.

Depois descobrimos o Restaurante do Sunrise Tropical Resort, e a simpatia do pessoal, acabamos por ir lá jantar duas vezes. A comida era maravilhosa.

Não faltou tempo para explorar as praias de Railay, inclusive Ton Sai, de caiaque, e o Beto, finalmente experimentou stand up paddle, e adorou.

Na véspera da partida, mais uma visita a Phra Nang Beach, agora com a camera para as desejadas fotos! Mas quando cheguei a praia, foi de certa forma uma decepção. A maré estava muito baixa, colocando a vista vários pedregulhos escuros na areia. Estava lotada de turistas. Aquela era a praia que eu considerava a praia mais bonita do mundo, a praia pela qual eu até tinha chorado de emoção, e agora… não é que fosse feia, de forma nenhuma, mas tinha perdido algo do seu encanto. A minha praia secreta, quase descoberta por acaso… fez-me pensar em muita coisa…

Tudo na vida é relativo, também nós, uns dias acordamos mais bonitos, ou mais bem dispostos, que outros. O que uns acham bonito, outros podem não achar. E a mesma coisa, vista com os mesmos olhos mas em dias diferentes, pode não ser igual.

Sempre procurei em cada momento da minha vida, olhar para o lado bom, porque em tudo há coisas positivas e negativas, e vai depender de nós reconhece-las e valorizá-las. E todos os dias agradeço pelos momentos que realmente fazem mais sentido na minha vida.

E olhando bem… aquela água translucida, uns dias azulinha, outros verde água… quentinha… aquela rocha no meio da água, coberta de vegetação, os macaquinhos que passeiam pela praia livremente, (temos de tomar cuidado com os pertences), a caverna, com os vários tons da rocha, com as suas estalactites e vegetação pendente sobre a água…

Sentei na areia, e fiquei por muito tempo curtindo aquela que seria a minha última visita a praia mais linda do mundo (apesar de tudo, até o momento para mim continua a ser, só que um dia… acordou descabelada), e os turistas foram embora, e o sol deitou-se mais uma vez, e são as fotos de por do sol, mais lindas que alguma vez fiz.

Ah… a mala chegou ao hotel um dia depois de nós, ao fim da tarde… mas essa não tivemos que carregar!!! Para voltar para Ao Nang, pedimos um transfer privado, que é exatamente o mesmo barco, mas vem no horário que queres, e carregam a mala. Não há dinheiro que pague isso… ou então… vai só com uma mochilinha, aprendendo a dar prioridade ao que realmente é importante levar na mala.
Mas não saímos no pier de Ao Nang, saímos em Nanmao, e tínhamos perguntado na recepção do hotel, se era o mesmo, e eles diziam que sim. O nosso transfer lá nos encontrou em Nammao, quando viu que não chegamos no long tail do horário marcado, foi ao outro que é relativamente próximo.

E lá voltamos nós… com a certeza de que aquela, pra já, é a praia mais bonita do mundo para mim!! Mas vamos continuar a viagem…

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

This Post Has 5 Comments

  1. A Tailândia também está no meu mapa, apesar de ser um daqueles que dizem que com o turismo está a perder a sua essência. Obrigado pela partilha e pelos momentos mágicos que por lá passou, ainda me deu mais vontade de visitar. Beijinho.

  2. Muito bom! Tenho viajado muito com você! Parabéns! 😪💞💞

  3. Rita! estava ansiosa por ler esse post. Hoje consegui! Lembrei muito de você durante minha viagem à Tailandia. Sobre a parte das praias: Chorei tanto ao chegar em ko phi phi, que solucei real. Tem uma foto minha chegando no hotel com a cara vermelha. Nem daria para compartilhar a cena! Chorei mais no dia seguinte ao pegar o meu primeiro long tail boat…me senti conquistando o mundo. Se a natureza tem um fluxo, como você disse, esse fluxo cruzou com o meu lá. Eu estava onde eu deveria estar. Foi mágico.
    Mas de fato as praias da Tailândia ensinam muito mesmo sobre a relatividade das coisas.Uma hora tiram lágrimas, na outra se nota lixo nas mãozinhas dos macaquinhos…uma hora silencio, na outra, invasão.

    Beijos e adorando ler seus posts 🙂

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