A Velha Saigon

Antes de ir ao Vietnam, só tinha ouvido falar de Hanói e de Saigon. Também já tinha visto algumas fotos da Baía de Halong, que me encantavam. Mas… as conversas com amigos, que já tinham andado por aquelas bandas, traziam-me muita curiosidade.

Saigon era o nome que me vinha logo à memória, quando lembrava do Vietnam, mas enquanto procurava um roteiro para a viagem, não encontrava a cidade. A cidade dos filmes, do musical…

O musical Miss Saigon… famoso musical da Broadway, que tinha assistido em Lisboa há exatamente 14 anos atrás!!

O musical é uma adaptação de Madame Butterfly, uma história de amor em tempo de guerra, em que um soldado norte-americano se apaixona por uma jovem vietnamita. Um musical sobre perdas, recomeços e reencontros. Lindo, lindo, lindo!!

Mas… a velha Saigon, mudou de nome, passou chamar-se oficialmente Ho Chi Minh, nome do revolucionário que lutou pela unificação do Vietnam e por um Estado Socialista. Entre os locais ainda é comumente chamada Saigon.

Saímos de Hué, e após um breve voo, chegamos a Ho Chi Minh. Estávamos outra vez numa grande cidade. Edifícios altos, muitas pessoas e muito trânsito. Com cerca de 8 milhões de habitantes  Ho Chi Minh tem 7,5 milhões de motos registadas.

A primeira visita em Saigon, foi ao antigo palácio presidencial, também conhecido como palácio da reunificação. Ocupa 12 hectares, no Centro de Saigon. Jardins muito bem cuidados e salões amplos e com muita luminosidade.

Ficamos instalados no Central Palace Hotel. Maravilhoso. Localização excelente, próximo das principais atrações de Saigon e um rooftop com um bar e uma piscina maravilhosa com vista para a cidade.

A cerca de 2 horas de Saigon, está a tranquilidade do Delta do Mekong, uma região rural onde as famílias locais vivem do plantio do arroz e frutas tropicais.

O Rio Mekong é um dos rios mais longos e volumosos do mundo. Sua nascente é na China e passa por mais 4 países antes de chegar ao vietname onde encontra o mar.

No dia seguinte dirigimo-nos a My Tho, onde apanhamos um barco para um passeio pelo Rio Mekong,  até o outro lado – Ben Tre,  para ver uma fábrica de doces de côco e como os doces são feitos, de forma artesanal. Seguimos para um passeio de carruagem até o mercado local, onde foram servidas frutas locais e uma apresentação com música tradicional. Segui-se um passeio pelo canais, em barcos à remo, cercados pelas palmeiras.

O almoço em Mien Tay foi fantástico, adoro a gastronomia vietnamita.

Acabou por ser uma das viagens que mais me marcou, pelas diferenças culturais, pelas belezas naturais, pela relação com a guerra do Vietnam, tão explorada por notícias e filmes na minha adolescência, e por fim pelo Museu das Memórias da Guerra, que choca ao exibir fotos originais, de foto-jornalistas internacionais sobre a guerra e os efeitos avassaladores do Agente Laranja, que deixou marcas naquela população, fa zendo perdurar os efeitos psicológicos e físicos da guerra.

O Agente Laranja era o terror da guerra química, a arma criada pelos EUA e pela Inglaterra era um herbicida, que misturava uma substância chamada 2,4-D e 2,4,5-T. Argumentavam que o veneno destruiria apenas o que fosse verde, destruindo as florestas, onde os guerrilheiros vietnamitas estariam escondidos e as plantações de alimentos, levando-os à rendição. No período da guerra, 4,8 milhões de pessoas foram expostas a esse veneno mortal, altamente cancerígeno, que tinha também efeitos teratogénicos, que afetaram as crianças geradas na época do derramamento do agente laranja, e os próprios soldados americanos responsáveis pelo armazenamento.

As fotos impressionam…

Fez-me lembrar quando fui a Auschwitz, na Polónia, e vi as provas vivas da 2a guerra, e dos Campos de Concentração (os sapatos, os cabelos, as malas… ). São imagens que nunca mais esquecemos e que nos acompanham frenéticamente nos primeiros dias após a visita.

Optei por não colocar no blog as fotos dessas imagens, guardando do Vietnam apenas as imagens que trazem boas recordações.

Com este post encerro a série de posts sobre a viagem ao Vietnam.

Foram 11 noites! Duas noites em Hanói, 1 na baía de Halong, 2 em Hoi An, 2 em Hué, 2 em Ho Chi Minh, e 2 noites em viagem. A seguir a Ho Chi Minh dirigimo-nos para a Tailândia, para descansar durante 5 dias em Krabi (será motivo para um novo post). Estava tudo incluído no mesmo pacote que selecionei. Acho que os dias no Vietname foram suficientes, embora gostasse de conhecer a região noroeste, que ficou por conhecer: SAPA! Os campos de arroz, as minorias étnicas…

Gostaria ainda de caminhar pela Ponte Dourada ( Cau Vang em vietnamita) a nova ponte de Ba Na, a 20km de Da Nang, uma ponte fantástica apoiada em duas mãos gigantes (as mãos de Deus), que foi inaugurada posteriormente à nossa estadia.

Mas temos que ter motivos para retornar aos lugares onde nos sentimos felizes.

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

This Post Has 2 Comments

  1. Há locais que me fazem doer de curiosidade…. Não sei se algum dia poderei visitar, ou se terei a capacidade mental de o fazer, mas é bonito viajar nas tuas palavras… tens também o dom da escrita que desconhecia! Ando há dias para to dizer mas aqui também os dias acabam por ser pequenos para tanto que temos de viver… Beijinhos!

    1. Desde pequenina sempre consegui viajar com os livros!! Não imaginava que tinha a capacidade de levar alguém comigo!! Mas ultimamente algumas pessoas têm me dito isso, e fico tão, mas tão feliz de ter conseguido te levar nessa viagem Cláudia… mesmo que virtualmente!! Beijo.

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