Vinícolas em Portugal – Uma Experiência Sensorial

Desta vez o desafio era organizar um encontro para a turma do Brasil. Comemorávamos 35 anos de formados!! Como o tempo passa depressa… já éramos médicos há 35 anos!! Combinamos que desta vez o encontro seria em Portugal, e eu seria a responsável pela organização (logo eu, que não gosto nada disso, ehehehe).

Para que tivesse sucesso, era necessário encontrar um local bonito, onde fosse possível confraternizar sem grande dispersão do grupo, um local que não conhecessem, com boa gastronomia e bons vinhos e que tivesse probabilidade de bom tempo em Outubro. Estava escolhido: o Alentejo… e ficaríamos em Évora!! A idéia seria levá-los a descoberta do enoturismo português. Uma experiência Sensorial, que pretendia que a Visão, o Olfato e o Paladar, deixassem gravado no Cérebro de cada um, uma relação entre a Felicidade, o meu País (Portugal), e a nossa amizade!!!

Antes do encontro propriamente dito, comecei uma espécie de pré-congresso!! Uma semaninha de férias no Algarve, com a melhor amiga da faculdade e depois fomos subindo pelo litoral Alentejano até Sesimbra, onde ficamos na casa de uma amiga. Sesimbra é lindo, mas ficará para um novo post.

Sem nada programado, resolvemos visitar a Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, telefonamos e fizemos reserva para uma visita e prova de vinhos. Pode fazer a reserva diretamente através do site oficial, aquie eles entram em contacto.

Há uma visita só a Adega/Museu Bacalhôa e outra que associa o Palácio e a Quinta da Bacalhôa. Custa cerca de 8€ por pessoa. Há visitas em Inglês e em português. Nós marcamos em cima da hora, e só conseguimos para a Adega/Museu e prova de vinhos, para a quinta só havia vagas para a semana seguinte. Mas valeu muito à pena.

A Adega está envolta por um Jardim Japonês, com oliveiras milenárias e no qual está exposto parte do espólio do escultor Nizuma e a árvore Kaki, bisneta da única árvore sobrevivente à bomba de Nagasaki.

O museu Bacalhôa está organizado em três grupos temáticos:

  • Out of Africa – Exposição dedicada a rainha Ginga e as maravilhas de Angola.
  • What a wonderful world – Art Noveau e Art Deco.
  • O azulejo português do Século XVI ao século XX

A Bacalhôa Vinhos de Portugal, uma das maiores empresas vinícolas em Portugal, está presente em 7 regiões vitícolas portuguesas, com cerca de 40 quintas, e algumas estão abertas a visitas públicas. No projecto implementado nas várias quintas sob o tema “Arte, Vinho e Paixão”, o processo vitivinícola é envolto em vários cenários que incluem a tradição e a modernidade, com exposições diversas, da pintura à escultura.

Adoramos a visita e a prova de vinhos. Tenho que voltar lá para visitar o Palácio…

No dia seguinte era finalmente o dia D, saímos de Sesimbra em direcção a Évora, e fomos almoçar ao Restaurante São Domingos, com os primeiros colegas que começavam a chegar! O restaurante é simples, tem um bom serviço e tem umas bochechas de porco preto, umas migas de bacalhau com camarão e umas migas de espargos, muito boas. Ah!! E uma boa relação preço/qualidade.

“O Alentejo é um mar de planícies, mas o m’ ar que aqui se respira, e nos hipnotiza, é um m’ ar de céu, um m’ar de estrelas, um MAR De AR.”

Para o alojamento, escolhi o Hotel Mar d’Ar Muralhas, onde já tinha ficado algumas vezes e que considero excelente! Quartos grandes, muito espaçosos, área comum muito agradável, que permitia longas conversas pela noite dentro, decoração rústica, com muito bom gosto, pequeno almoço de qualidade e um staff muito simpático, sempre!!

Está muito próximo do Centro da Cidade, o que permitia passeios à pé, e tem uma piscina exterior junto à muralha, que soube tão bem… mas no verão, com o calor alentejano, sabe ainda melhor!!! O hotel tem uma ótima relação preço/qualidade.

À noite, já estaríamos todos, e o jantar foi programado com antecedência no Restaurante Fialho Uma referência da Gastronomia Alentejana que não poderia faltar!! Escolhemos um menu de degustação, fantástico: presunto pata negra, queijo de ovelha gratinado com orégãos, pastéis de massa tenra, empadinhas de perdiz, espargos com ovos mexidos, cogumelos recheados com ovinhos de codorniz e carpaccio de bacalhau foram as entradas. A seguir a famosa Sopa de Cação com Coentros, acompanhados sempre por um Vinho Cartuxa Branco. O prato principal alternou-se entre a Perninha de Cabrito Assado no Forno e os Medalhões de Porco Preto. Acompanhados por um Vinho Tinto Dona Maria. A sobremesa, uma trilogia de doces conventuais. Não surpreendeu… foi MARAVILHOSO, como sempre!! E o Sr. Fialho fica a me dever um livro daqueles!! Ehehehe.

No dia seguinte após o pequeno almoço, tinha programado um Walking Tour por Évora.

Contratei um guia, o Jones, que nos levou a Praça do Giraldo, a Rua 5 de Outubro (Artesanato), a Catedral (Entrada na Catedral + Claustro – 2,5€ por pessoa), ao Templo Romano (anteriormente chamado Templo de Diana), ao Largo das Portas de Moura, a Igreja da Graça (exterior),a Igreja de S. Francisco e a famosa capela dos Ossos (entrada – 4€ por pessoa).

Assim que o Jones, da Tours Évora Genuína, começava a falar, era difícil calar-se… porque ele sabe muito, mas mesmo muito, sobre Évora.

“NOS OSSOS QUE AQVI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS”

Embora a frase pareça macabra, tem a finalidade de lembrar a todos que a vida é efémera, e no fim, somos todos iguais.

A capela dos ossos de Évora, não é única no país, mas é a mais famosa. Fica na igreja de S. Francisco e foi construída com ossos de cerca de 42 cemitérios monásticos na região de Évora, para libertar os terrenos.

Ultrapassamos as 2 horas previstas para o Walking Tour. Cada recanto tem uma história, cada rua tem encanto, e havia muito para contar… Évora é Património Mundial da Unesco desde 1986.

Ao contrário de Lisboa, não sofreu com o terremoto de 1755, e manteve todo o seu património que vem desde a pré-história, e pode ser observado no circuito megalítico, mas infelizmente, não havia tempo para explorar dessa vez.

Há 20 séculos atrás os Celtas dominavam a região e parece que lhe terão dado o nome (Eburus). Posteriormente sob o domínio Romano, Évora passa a chamar-se Liberalitas Julia. É dessa altura o Templo Romano.

A Catedral, do período medieval, começou a ser construída em 1.186 e terminou no século XXIII/XXIV.

Mas, o que torna Évora realmente invulgar, é o conjunto de pequenas casas brancas e de telhas vermelhas construídas entre o século XVI e XVIII, que podemos observar em todo o Centro Histórico.

O almoço foi livre, para que cada um tivesse oportunidade de explorar Évora à sua maneira!!

Durante a tarde tinhamos marcada uma visita a Adega Cartuxa da Fundação Eugénio de Almeida, com uma prova de vinhos acompanhada por queijos, enchidos e compotas da região, 15€ por pessoa. Pode fazer a reserva aqui!! Foi muuuito bom!!! Como éramos um grupo relativamente grande, a nossa prova foi feita exclusivamente para nós, e dentro da própria adega!!

Ao jantar fomos conhecer a cozinha do Chef António Nobre no Restaurante Degust’AR, que fica no piso térreo do Palácio dos Sepúlveda, no Hotel Mar d’AR Aqueduto. Mais uma vez um jantar maravilhoso, num restaurante lindo!!

No Domingo foi dia de seguir em direcção a Reguengos de Monsaraz, para explorar a Herdade do Esporão!! Fomos surpreendidos pela beleza da área envolvente, são 702 hectares de vinhas e olivais, e actualmente apostam na produção biológica. O Esporão Colheita é o primeiro vinho biológico da herdade.

Fiz reserva para uma visita guiada à herdade, e uma prova de vinhos Alentejo x Douro, uma prova comparativa de Terroirs, 15€ por pessoa.

A herdade é linda, uma das mais belas propriedades do Alentejo, e a visita foi super completa, com explicações sobre o solo, as castas, a produção biológica, e visita às adegas e caves. Foi uma visita fantástica!!

A visita foi em um Domingo, e aos Domingos e Segundas, o Restaurante da Herdade está encerrado, mas os menus de degustação com harmonização vínica são de referência.

Após um “assalto” à loja da herdade, onde os vinhos e azeites esperavam por nós, seguimos em direcção à Monsaraz, onde a D. Isabel nos esperava com um almoço caseiro, no seu restaurante: Sabores de Monsaraz!! 

Como se não bastasse ter a melhor vista sobre o Alqueva, a D. Isabel tem o melhor da gastronomia regional. Tudo estava perfeito, a mesa, a decoração da mesa, com as saquinhas de pano para o pão alentejano, as entradas, as melhores favas que já provei na vida, o aroma que estava pelo ar, e o carinho com que fomos recebidos pela D. Isabel.

Monsaraz é uma das vilas mais bonitas de Portugal, pertence ao concelho de Reguengos de Monsaraz, e ergue-se sobre uma montanha rochosa, oferecendo uma vista fantástica sobre a Albufeira do Alqueva, o maior lago artificial da Europa.

No dia seguinte, cada um seguiu na sua rota de descobertas desse País fabuloso, que esconde recantos com grandes paisagens, onde o verde, os rios e as praias fazem-nos suster a respiração, com hotéis de sonho, restaurantes com uma gastronomia de topo, uma doçaria de comer e chorar por mais, e acima de tudo com pessoas, que tão bem sabem receber, numa casa portuguesa com certeza!!

Rita Pinheiro

Olá!! Meu nome é Rita Pinheiro e vamos viajar juntos!! Acho importante que me conheças, para que possas confiar. Vivo em Braga, uma cidade no norte de Portugal. Sou casada, tenho 2 filhos e uma neta. Sou médica de família, e adoro viajar!!!

This Post Has 7 Comments

  1. Chorei! Muita saudade dessa terra em que quando fazemos uma reserva, reservamos a mesa e o carinho do anfitrião! Nada igual, em nenhum lugar. Portugal é terra mãe, na acepção da palavra, porque nos recebe de braços e corações abertos. Amo!!

    1. E aqui em casa nem precisa reservar!! Estamos sempre de braços abertos!!! 😘😘

  2. Uma pena não termos ido!!!😪😪

  3. Rita, estás aprovada como organizadora de circuitos turísticos!
    Continua nessa carreira e podes ter a certeza que alinho na próxima viagem.

  4. Pretty! This was a really wonderful post. Thanks for providing these
    details.

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